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Sobre a Anta Brasileira

Sobre a Anta Brasileira

Luccas Longo (9)

Sobre a Anta Brasileira

 

A Anta Brasileira, como nós brasileiros costumamos chamá-la, é também conhecida como Anta Sul-Americana ou Anta de Terras Baixas.  O nome científico da espécie é Tapirus terrestris.  Esse animal pertence à Família Tapiridae da Ordem Perissodáctila.  Ao contrário do que muitos pensam, a Anta não é aparentada de porcos, tamanduás ou capivaras, mas sim de cavalos e rinocerontes!

A Anta Brasileira tem uma imensa distribuição geográfica desde o Norte da Colômbia a Leste dos Andes seguindo através de toda a América do Sul tropical por 11 países incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela. A espécie ocorre primordialmente em florestas tropicais baixas e ambientes ripários (próximos à água), mas pode também ser encontrada em habitats mais secos tais como o Chaco Boliviano e Paraguaio.  No Brasil, a Anta ocorre por praticamente todo o país com exceção do Sul do Estado do Rio Grande do Sul e Nordeste.  Em nosso país, a espécie ocorre principalmente nos biomas Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.

Algumas das características mais importantes da Anta Brasileira são:

- É o maior mamífero terrestre da América do Sul, pesando de 180 a 300 quilos, com cerca de 1,10 metros de altura e em alguns casos mais de 2 metros de comprimento!  As fêmeas são, em geral, maiores do que os machos.

-  Possui uma crina curta e estreita ao longo de todo o pescoço, pelagem acinzentada, curta e áspera, e orelhas com pontas brancas. Possui uma “tromba” ou probóscide, que utiliza para a alimentação.

-  É um animal solitário, embora seja relativamente comum avistar mais de um indivíduo, nestes casos sendo macho e fêmea em época de reprodução ou uma fêmea com seu filhote.

-  Sua reprodução é bastante lenta… A gestação da anta dura cerca de 13-14 meses e a fêmea dá a luz a somente UM filhote.  Casos de 2 filhotes são bastante raros.  Após dar a luz, a fêmea demora cerca de 4-5 meses para entrar no cio novamente.  Desta forma, uma fêmea deve produzir UM filhote a cada 1 ano e meio ou até mesmo dois anos.  Adicionalmente, existe uma certa taxa de mortalidade de filhotes na natureza, sendo que estes estão mais susceptíveis a predadores.  Machos e fêmeas de Anta na natureza atingem sua maturidade sexual a cerca de 4 anos de idade.

-  Vivem cerca de 22-24 anos na natureza.  Em cativeiro, existem registros de Antas Brasileiras que viveram até 36-39 anos de idade!

-  É noturna/crepuscular.  Realiza boa parte de suas atividades de alimentação durante o amanhecer, nas primeiras horas do dia, descansando durante as horas mais quentes do dia escondida em algum local protegido na floresta, e retomando suas atividades ao entardecer.

-  Seus predadores são as onças pintadas e onças pardas … além do ser humano! Para escapar de ataques de onças, as antas costuma fugir para a água, onde são bastante ágeis.

-  Sua área de uso é imensa, uma média de 470 hectares… em outras palavras, cerca de 500 campos de futebol!  Outro aspecto importante é que a anta compartilha partes de sua área de uso com outras antas vizinhas.  Devido a essas grandes áreas de uso, o número de indivíduos em populações de anta são naturalmente baixos… o que significa que os impactos das ameaças atuando sobre essas populações são enormes!

- A anta se movimenta bastante dentro de sua área de uso e entre fragmentos de floresta desta forma conectando diferentes tipos de habitat.  Por esta razão, a anta é conhecida como DETETIVE ECOLÓGICO… ou… ESPÉCIE PAISAGEM!  Ela nos ajuda a compreender as inter-relações entre esse mosaico de habitats.

- É um animal de floresta, sobretudo florestas de beira de água, entretanto, utiliza-se de outros tipos de habitat para buscar alimentos e viajar entre diferentes partes de sua área de uso.

- É VEGETARIANA… é um animal herbívoro, alimentando-se sobretudo de frutos, brotos e folhas.

- Os frutos consumidos pela anta são engolidos inteiros, com suas sementes.  Quando passam pelo trato digestivo da anta, essas sementes têm sua capacidade de germinação potencializada!  Por esta razão, a anta tem um papel importantíssimo, fundamental, na dispersão de sementes pela floresta, transportando essas sementes em seu estômago para locais diferentes dentro de suas áreas de uso!  Por esta razão, a Anta é conhecida como a JARDINEIRA DA FLORESTA… ou… ENGENHEIRA ECOLÓGICA!

A Anta Brasileira está globalmente classificada pela Lista Vermelha da IUCN como VULNERÁVEL À EXTINÇÃO.  A Lista Vermelha Nacional do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – classifica o estado de conservação da espécie por biomas:

AmazôniaQUASE AMEAÇADA - Principais ameaças: Caça, em geral de subsistência, realizada em grande escala pelas comunidades locais de forma não sustentável; desmatamento.

CaatingaLOCALMENTE EXTINTA

CerradoAMEAÇADA - Principais ameaças: Desmatamento/fragmentação para fins de produção agro-pecuária; atropelamentos em rodovias.

Mata AtlânticaAMEAÇADA - Principais ameaças: Fragmentação já existente no bioma, causando o isolamento de populações de Anta Brasileira pela falta de conectividade da paisagem; atropelamentos em rodovias.

PantanalQUASE AMEAÇADA - Principais ameaças: Transformação do sistema tradicional pantaneiro de pecuária extensiva em formas mais intensivas de produção, envolvendo substituição de pastagens nativas por pastagens exóticas e impacto de maiores quantidades de gado nas florestas; doenças infecciosas provenientes de animais domésticos, sobretudo equinos e bovinos.

 

Devido aos efeitos do pequeno tamanho populacional da Anta e taxas reprodutivas intrinsecamente  caixas, a recuperação de uma população impactada é BASTANTE lenta. QUAISQUER impactos, sejam eles desmatamento, caça, atropelamento, fogo etc. têm efeitos drásticos nas populações!  A anta desempenha um papel de extrema importância nos processos de formação e manutenção da biodiversidade, funcionando como espécie indicadora da saúde dos ecossistemas, e atuando de forma crítica para processos ecológicos chave tais como a dispersão de sementes. Declínios populacionais e extinções locais podem desencadear efeitos ADVERSOS nos ecossistemas, afetando os processos ecológicos e eventualmente comprometendo a integridade e biodiversidade desses ecossistemas. Por todas essas razões, é necessário que tenhamos em vista a necessidade urgente de estabelecer esforços conservacionistas focados na Anta Brasileira visando a implementação de programas de pesquisa, conservação e manejo da espécie em todos os biomas e países de ocorrência.

A NOSSA BIODIVERSIDADE DEPENDE DA SOBREVIVÊNCIA DA ANTA BRASILEIRA!

Administrador Blog SZB
Escrito por Administrador Blog SZB