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Sobre a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira – IPÊ

Sobre a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira – IPÊ

Sobre a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira – IPÊ

www.tapirconservation.org.br

 

Histórico

 

De 1996 a 2007, o IPÊ desenvolveu um programa de pesquisa e conservação da Anta Brasileira na Mata Atlântica da Região do Pontal do Paranapanema, São Paulo. Esta região inclui o Parque Estadual Morro do Diabo (35.000 hectares), um dos últimos remanescentes significativos de Mata Atlântica do Interior, e demais fragmentos de floresta do entorno (12.000 hectares). A Mata Atlântica Brasileira é um dos biomas mais ameaçados do planeta. A área original coberta por esse bioma era de 1.300.000km² (12% do território brasileiro) que hoje está reduzido a cerca de 7% do seu tamanho original.  Trinta e cinco (35) antas foram capturadas e equipadas com transmissores de rádio-telemetria e monitoradas ao longo dos anos.

 

O Programa Anta Mata Atlântica do IPÊ foi a primeira iniciativa de longo-prazo para a pesquisa e conservação da Anta Brasileira no Brasil e gerou um enorme banco de dados de mais de uma década de informações sobre a espécie, levando ao desenvolvimento de uma série de estratégias e recomendações para a conservação da espécie no bioma Mata Atlântica. Posteriormente, a equipe do programa considerou ser chegado o momento de utilizar sua experiência acumulada para expandir as iniciativas de pesquisa e conservação da espécie para outros biomas brasileiros onde a Anta Brasileira ocorre e foi então criada a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira.  Desta forma, em 2008 foi estabelecido o Programa Anta Pantanal, com a meta primordial de obter informações de demografia, genética e saúde das antas nesse bioma, bem como informações de uso de habitat e do mosaico de fragmentos naturais característicos do Pantanal, visando estabelecer um programa de pesquisa e conservação de longo-prazo e subsidiar a formulação de recomendações para a conservação da espécie na região.

 

A área de estudo do Programa Anta Pantanal é o Hotel Fazenda Baía das Pedras na sub-região ecológica do Pantanal da Nhecolândia. A Fazenda tem 17.000 hectares às margens da fantástica Vazante do Castelo que cruza essa porção do bioma.

 

Depois do Pantanal, a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira estabelecerá programas similares na Amazônia e Cerrado!  Através do estabelecimento de programas de pesquisa e conservação da Anta Brasileira em diferentes biomas o IPÊ espera criar uma perspectiva comparativa para a conservação da espécie, investigando sua ecologia e ameaças em diferentes regiões do país.  Desta forma, buscamos um entendimento mais profundo sobre esses animais em diferentes biomas, com diferentes matrizes de paisagem e sob diferentes níveis de distúrbio ambiental. Assim, seremos capazes de compreender melhor a ecologia destes animais e suas necessidades em termos de conservação, bem como avaliar a importância e magnitude dos fatores ecológicos afetando as diferentes populações existentes no país. Finalmente, teremos todas as ferramentas necessárias para promover o desenvolvimento e efetiva implementação de estratégias de conservação e manejo para populações específicas de Anta Brasileira por toda a sua área de distribuição.

 

O Pantanal

 

O Pantanal é uma das maiores áreas de wetlands de água fresca contínuas do planeta, cobrindo cerca de 160.000 km² de planícies alagáveis de baixa altitude no alto Rio Paraguai e tributários, no centro do continente Sul-Americano com porções no Brasil, Bolívia e Paraguai. Cerca de 85% da área do Pantanal está no Brasil.  Atualmente, existe um total de 360.000 ha ou 2.6% do Pantanal Brasileiro sob alguma categoria de proteção, sendo a maior delas o Parque Nacional do Pantanal Matogrossensse.

 

A vegetação do Pantanal sofre influência de quatro biomas: Floresta Amazônica, Cerrado (predominante), Chaco e Mata Atlântica. O fator ecológico principal que determina os processos e padrões do Pantanal são os pulsos de cheias, que seguem um ciclo anual, monomodal, com amplitude de 2 a 5 metros e duração de 3 a 6 meses. O Pantanal está também sujeito a variações na intensidade das cheias, alternando entre anos de alagamento intenso e anos mais secos. Um complexo mosaico de habitats, tipos de solo e regimes de inundação é responsável pela grande variedade de formações vegetais e paisagens diversificadas, criando as condições necessárias para uma rica biota terrestre e aquática. A região se distingue por sua extraordinária concentração e abundância de vida silvestre.

 

Nas últimas três décadas, os governos do Brasil, Bolívia e Paraguai têm realizado grandes esforços para incluir o Pantanal em seus respectivos programas nacionais de desenvolvimento econômico. Na década de 70, o governo Brasileiro deu início a grandes programas de desenvolvimento no Pantanal, visando a intensificação da utilização dos recursos naturais da região, sobretudo através da construção de estradas e redes de transmissão de eletricidade. Desde então, nove hidroelétricas com capacidade total de 323MW foram construídas no Pantanal, o projeto para estabelecer a gaseoduto Bolívia-Brasil cruzando o Pantanal de Corumbá a Campo Grande segue progredindo; e existe uma enorme pressão para mudar o curso e canalizar o Rio Paraguai de maneira a facilitar o transporte fluvial de grãos e minérios para o Oceano Atlântico (hidrovia Paraguai-Paraná).

 

Outra grande ameaça para a integridade do Pantanal é a substituição dos métodos tradicionais de pecuária de baixa-intensidade por formas mais intensas de manejo de gado. Durante os últimos dois séculos, a pecuária extensiva tradicional tem sido uma das principais atividades econômicas do Pantanal. Aproximadamente 95% do Pantanal é composto por propriedades privadas de tamanho médio de 10.000 hectares. Por ser este um tipo de manejo que mantém estrutura, função, biodiversidade e beleza da paisagem, ele é considerado como um método sustentável de utilização dos recursos naturais do Pantanal. Entretanto, a crescente pressão econômica tem levado pecuaristas tradicionais a aumentarem o número de cabeças de gado por unidade de área na intenção de aumentar a eficiência da produção de carne e o retorno econômico das fazendas. Como resultado, o que se pode observar é a exaustão de pastagens e a conversão de pastagens naturais em artificiais através da introdução de gramíneas exóticas (cerca de 12.200 km² do Pantanal já foram substituídos por gramíneas exóticas). Como consequência, essas atividades já afetaram cerca de 40% dos habitats de floresta e cerrado do Pantanal.

 

Componentes do Programa Anta Pantanal:

 

  1. Pesquisa Sobre a Espécie: Demografia (tamanhos populacionais); área de uso e outros parâmetros de ecologia espacial; movimentações pela paisagem; uso de diferentes tipos de habitat; dieta; dispersão de sementes; estado genético; estado de saúde; análise de viabilidade populacional e probabilidades de extinção.
  2. Educação Ambiental: Utilizando a Anta Brasileira como espécie-bandeira.
  3. Capacitação e Treinamento: Estudantes, profissionais, voluntários, nacionais e internacionais; cursos de curta-duração sobre tópicos relacionados; oportunidades para a realização de programas de pós-graduação.
  4. Conscientização/Marketing/Campanhas: Divulgação e aplicação de resultados obtidos; palestras em universidades, conferências etc.; publicações científicas; mídia; websites; redes sociais; folders; posters etc.
  5. Turismo Científico: Pacotes para voluntários e grupos de eco-turistas nacionais e internacionais interessados em participar das atividades de campo do Programa Anta Pantanal.
Administrador Blog SZB
Escrito por Administrador Blog SZB